domingo, 10 de fevereiro de 2008

Ânsia

Ele acordou e se sentiu morto. Escovou os dentes,

andou descalço e tomou seu café.

Saiu de casa para trabalhar como se uma esfera de aço

estivesse atada ao seu tornozelo.

Não havia emoção. Olhava para as pessoas como quem vê

muitas batatas lutando para serem levadas.

Se desligou daquele mundo, não ouviu, não viu, não falou.

Os olhares, os lábios se mechendo em murmúrios....

Implorou a Deus para que seu coração parasse no instante

em que viu o chefe caminhando em sua direção.

Sentiu seu coração disparar, acalmar, se contorcer...

Ouviu uma voz na sua cabeça dizendo como tudo poderia terminar.

Não conseguia ficar parado, sentado, deitado, calado.

Tentava desesperadamente conter as lágrimas...

Como uma anestesia mau sucedida.

Acordou!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Querer ou não querer.

O tempo não da trégua, as coisas não mudam e as pessoas levam uma vida evoluindo, ou tentando.
Não poderia ser diferente já que o excentrismo só permite uma olhada rápida para o próprio umbigo!
Cabeças baixas, falta de expressão, o olhar vazio de uma criança.
Como pode o tempo não se apiedar?
Espera-se anos para chegar a adolescência, para conseguir o primeiro emprego, mais ainda pelos anos de liberdade e esses... Voam.
Logo se esta preso de novo.
As pessoas mudaram. A casa e o cachorro são suas responsabilidades agora...
O trabalho faz o seu itinerário.
Não á mais risos e finalmente se esta livre outra vez.
A TV é sua nova babá, e sem ninguém para brigar se deixa ficar ali recostado no sofá em catarse.
Então a regressão é completa.
Não a fala, não a emoção, e os sentimentos estão em estado de dormência.
Você vegeta!
Tudo o que enxerga são pessoas que se encontram e se perdem quase que instantaneamente.
Olhares frios, distantes e a certeza terrível de se estar sozinho.